segunda-feira, julho 22

Banco Central corta Selic para 12,25% ao ano

Em resposta à dinâmica econômica internacional e expectativas de inflação, Copom decide reduzir juros pela terceira vez consecutiva.

Banco Central corta Selic para 12,25% ao ano. Foto: Beto Nociti/Banco Central
Banco Central corta Selic para 12,25% ao ano. Foto: Beto Nociti/Banco Central

Hoje, o Banco Central anunciou, por unanimidade, a terceira redução consecutiva na taxa Selic, diminuindo-a para 12,25% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) era amplamente esperada pelos analistas financeiros.

O Copom justificou a ação em seu comunicado, enfatizando a necessidade de maior cautela diante do ambiente econômico internacional adverso. A elevação das taxas de juros de prazos mais longos nos Estados Unidos, a persistência da inflação em níveis elevados em várias nações e tensões geopolíticas contribuíram para a decisão. Apesar das dificuldades, o Copom planeja continuar a reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, mas ressaltou que pode ajustar o ritmo de cortes, se necessário.

Essa nova taxa é a mais baixa desde maio do ano passado, quando estava em 11,75% ao ano. Entre março de 2021 e agosto de 2022, o Copom aumentou a Selic em 12 ocasiões consecutivas em resposta à alta dos preços de alimentos, energia e combustíveis. Por um ano, de agosto do ano passado a agosto deste ano, a taxa permaneceu em 13,75% ao ano, durante sete reuniões seguidas.

Antes do ciclo de aumento, a Selic havia sido reduzida para 2% ao ano devido à contração econômica causada pela pandemia de COVID-19, com o objetivo de estimular a produção e o consumo. Essa foi a taxa mais baixa desde que os registros começaram em 1986 e se manteve nesse patamar de agosto de 2020 a março de 2021.

Inflação

A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em setembro, o IPCA ficou em 0,26% e acumulou 5,19% nos últimos 12 meses. Após quedas no primeiro semestre, a inflação voltou a subir na segunda metade do ano, conforme previsto por economistas.

No fechamento do ano passado, a inflação ultrapassou o teto da meta. Para 2023, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu uma meta de inflação de 3,25%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Portanto, o IPCA não deve exceder 4,75% nem ficar abaixo de 1,75% este ano.

No último Relatório de Inflação divulgado em setembro, o Banco Central estimou que o IPCA encerraria 2023 em 5% no cenário base, mas essa previsão pode ser revisada para baixo no próximo relatório, a ser divulgado em dezembro. As previsões do mercado são mais otimistas, indicando que a inflação oficial deve fechar o ano em 4,63%, abaixo do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,86%.

Crédito mais barato

A redução da Selic tem o potencial de estimular a economia, uma vez que juros mais baixos tornam o crédito mais acessível e incentivam a produção e o consumo. No entanto, taxas mais baixas dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Inflação, o Banco Central aumentou sua projeção de crescimento para a economia em 2023 para 2,9%.

As projeções do mercado são semelhantes, especialmente após o anúncio de um crescimento de 0,9% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Segundo o boletim Focus mais recente, os analistas econômicos preveem uma expansão de 2,89% do PIB em 2023.

Em resumo, a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic para 12,25% ao ano foi tomada em resposta às condições econômicas globais e às projeções de inflação. O movimento busca estimular a economia, mas o Banco Central continuará monitorando de perto as condições para garantir que a inflação permaneça sob controle.

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