A decisão de intervir no diretório estadual pode enfraquecer o PSDB e comprometer sua relevância nas eleições de 2026.

O PSDB de Pernambuco perdeu um de seus principais ativos políticos: a governadora Raquel Lyra, que se filiou ao PSD. No entanto, ao invés de agir estrategicamente para manter alguma relevância no estado, a Executiva Nacional tomou uma decisão baseada mais na emoção do que no pragmatismo político. A intervenção no diretório estadual e a entrega do partido ao presidente da Alepe, Álvaro Porto, enfraqueceram ainda mais a legenda, comprometendo seu peso nas eleições de 2026.
Uma resposta impulsiva à saída de Raquel Lyra
A saída de Raquel Lyra do PSDB foi um golpe duro para o partido, mas não significava necessariamente a ruína da legenda em Pernambuco. A governadora, mesmo deixando a sigla, manteve um gesto de boa vontade ao filiar a vice-governadora Priscila Krause ao PSDB e garantir que os 32 prefeitos eleitos em 2024 permanecessem na sigla.
Além disso, com Raquel disputando a reeleição em 2026, o PSDB teria a chance de estar no palanque governista e eleger, pelo menos, três deputados federais, algo essencial para o partido cumprir a cláusula de barreira e manter seu acesso ao fundo partidário e tempo de TV.
Porém, movido pelo desejo de punir Raquel por sua saída, o PSDB optou por uma intervenção no diretório estadual, sem considerar os impactos práticos dessa decisão. O resultado? A legenda perdeu todos os prefeitos e os 33 vice-prefeitos eleitos sob a liderança da governadora.
Álvaro Porto: Um líder sem base para fortalecer o PSDB
O partido foi entregue a Álvaro Porto, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco. No entanto, diferente de Raquel Lyra, que já havia demonstrado capacidade de articulação e construção política, Álvaro não possui condições reais de montar uma chapa competitiva para a Câmara Federal.
Sem uma base consolidada de prefeitos e sem um líder estadual forte para atrair candidatos, o PSDB caminha para não eleger nenhum deputado federal em 2026, o que pode enfraquecê-lo ainda mais a nível nacional.
Em uma conjuntura em que os partidos menores precisam somar forças para sobreviver, o PSDB optou pelo isolamento. Em vez de garantir uma posição estratégica ao lado do governo estadual, preferiu um caminho incerto, que pode custar caro em termos de representatividade no Congresso. O partido que já não tem nenhum deputado federal eleito por Pernambuco, poderá fracassar definitivamente nas eleições do ano que vem.
Consequências para 2026: Um partido sem protagonismo
O cenário para o PSDB em 2026 é desanimador. Com a governadora no PSD e o partido sem apoio de prefeitos ou lideranças expressivas, as consequências são claras:
Menor capacidade de eleger deputados federais, colocando em risco o cumprimento da cláusula de barreira.
Perda de influência política em Pernambuco, tornando-se um partido secundário no estado.
Dificuldade em atrair novos filiados e lideranças, já que não oferece perspectivas eleitorais sólidas.
O PSDB poderia ter seguido o caminho do pragmatismo, mantendo uma relação estratégica com Raquel Lyra e garantindo, ao menos, um espaço relevante no cenário pernambucano. Mas escolheu a política do revanchismo e da resposta imediata, sem medir as consequências.
Em um tabuleiro político cada vez mais dinâmico, sobrevive quem sabe articular alianças e preservar espaços de poder. O PSDB, ao ignorar essa regra básica, se coloca em uma posição frágil para as próximas eleições. Resta saber se terá tempo e força para reverter esse quadro antes que seja tarde demais.
Pergunta que não quer calar:
Será que o PSDB conseguirá se reerguer em Pernambuco ou está caminhando para a irrelevância política?
CEO do Portal Fala News, Jornalista pela UNIFG, licenciado em Letras PT/ES pela FAESC, formado em psicanálise pela ABEPE, pós-graduado em linguística aplicada as línguas portuguesa e espanhola pela FAESC, e MBA em Marketing Digital e Mídias Sociais pela UniNassau. Analista de política e economia, colunista sobre psicanálise, amante dos livros e dedicado a levar informação com transparência e credibilidade.