segunda-feira, maio 27

BC aumenta projeção de crescimento do PIB de 1,2% para 2%

Estimativa de inflação cai de 5,8% para 5% este ano

 

Foto:Marcello Casal Jr

O
Banco Central (BC) elevou a projeção para o crescimento da economia
este ano. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, a
soma de todos os bens e serviços produzidos no país) passou de 1,2% para
2%, em razão de “surpresas positivas em algumas atividades da indústria
e do setor de serviços no primeiro trimestre, além de melhora nos
prognósticos para a agricultura”. A projeção consta do Relatório de
Inflação, publicação trimestral do BC, divulgado nesta quinta-feira (29).

“A atividade econômica apresentou forte
crescimento no primeiro trimestre (1,9%), superando amplamente as
expectativas. O resultado repercutiu sobretudo o desempenho do setor
agropecuário. Por sua vez, a evolução da demanda doméstica e dos
componentes da oferta mais sensíveis ao ciclo econômico reforça a
avaliação de arrefecimento da atividade econômica”, explicou o BC no
relatório.

“Apesar dessa elevação, a projeção continua
refletindo cenário prospectivo de desaceleração da atividade econômica
em 2023, sob influência da diminuição do ritmo de crescimento global e
dos impactos cumulativos da política monetária doméstica [alta da taxa
básica de juros]”, alertou a autarquia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano desde agosto do ano passado, o maior nível desde janeiro de 2017, apesar da queda da inflação e das pressões de parte do governo para redução dos juros básicos.

A Selic é o principal instrumento do BC para
alcançar a meta de inflação porque a taxa causa reflexos nos preços, já
que juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança,
evitando a demanda aquecida. Os efeitos do aperto monetário são sentidos
no encarecimento do crédito e na desaceleração da economia.

Setores da economia

Em 2022, a economia brasileira cresceu 2,9%,
após alta de 5% em 2021 e recuo de 3,3% em 2020. O setor de serviços
foi o que mais contribuiu para o crescimento do PIB no ano passado.
Segundo o BC, os segmentos do setor foram severamente afetados pela
pandemia da covid-19, inicialmente, mas desde então apresentam
trajetórias de crescimento.

Para este ano, a projeção para o setor de
serviços teve alta de 1% para 1,6%, diante do bom desempenho em algumas
atividades. Entre elas, está o de transporte, “possivelmente
influenciada pelo escoamento da safra de soja”, e de atividades
financeiras. O BC cita ainda o comércio, que teve variação modesta mas
acima da prevista, também possivelmente beneficiada pela alta na
agropecuária.

Na indústria, a projeção foi elevada de 0,3%
para 0,7%, com maior crescimento da indústria extrativa e da produção e
distribuição de eletricidade, gás e água. Essa última atividade saiu de
uma projeção de crescimento de 0,4% para 5%, beneficiada no primeiro
trimestre pela reduzida participação de usinas termoelétricas na
produção total de energia elétrica, o que deve continuar acontecendo ao
longo do ano, em cenário de reservatórios de hidrelétricas em níveis
confortáveis e da maior oferta de energia proveniente de usinas eólicas e
fotovoltaicas.

“Em sentido oposto, houve redução nas
estimativas para a indústria de transformação e para a construção,
atividades mais sensíveis ao ciclo econômico e que recuaram mais do que o
previsto no primeiro trimestre”, informou o BC.

A projeção de crescimento da agropecuária
para este ano foi elevada de 7% para 10%, após recuo de 1,7% em 2022,
repercutindo prognósticos favoráveis para a produção agrícola,
notadamente a de soja, a da segunda safra de milho e a de
cana-de-açúcar.

Com relação aos componentes domésticos da
demanda, a projeção para o consumo das famílias teve ligeira alta, de
1,5% para 1,6%; para o consumo do governo, de 0,7% para 1%, e para a
formação bruta de capital fixo (investimentos) das empresas, de
estabilidade para recuo de 1,8%. As exportações e as importações de bens
e serviços, este ano, devem variar de 3,7% para zero, ante projeções
respectivas de 2,4% e queda de 0,5% no Relatório de Inflação de março.

Riscos

Segundo o BC, foi mencionado no relatório de
março uma possível desaceleração da concessão de crédito mais intensa
do que seria compatível com o atual estágio de política monetária, sendo
um risco negativo para a atividade econômica. Na atual publicação, “a
despeito do risco continuar”, o BC sugere que as concessões de crédito
com recursos livres “têm evoluído em linha com o esperado”.

As concessões de crédito com recursos livres
(a juros determinados pelos bancos) têm mostrado desaceleração desde o
final do ano passado, sobretudo no segmento de pessoas jurídicas, e
recuaram 3,7% no trimestre encerrado em abril. “Um menor dinamismo no
mercado de crédito já era esperado, tendo em vista o grau de aperto da
política monetária. Todavia, ocorreram no início de 2023 eventos
relevantes, no Brasil e no exterior, que potencialmente trazem
deterioração adicional ao mercado de crédito, de magnitude incerta”,
analisou o BC.

De acordo com a instituição, contribui para a
diminuição dos riscos o avanço na criação do novo regime fiscal, “que
reduziu a incerteza associada a cenários extremos de crescimento da
dívida pública”. Desde o último Relatório de Inflação, novas medidas
foram apresentadas ou estão em discussão e o Ministério da Fazenda
também sinalizou o interesse na diminuição de benefícios tributários.

Ainda assim, no relatório, a avaliação é de
que a aprovação do novo regime fiscal na Câmara dos Deputados e o
anúncio de ações para aumento de receitas “ainda não impactaram de forma
significativa as projeções dos analistas para as variáveis fiscais”. O
BC incorpora as expectativas de mercado nas decisões de política
monetária (sobre juros).

No ambiente externo, entre os possíveis
riscos para o crescimento global, o relatório cita a persistência de
pressões inflacionárias nos países centrais, que pode requerer aperto
monetário mais prolongado, com efeitos sobre a atividade econômica; o
ritmo de reabertura e recuperação da economia chinesa e os riscos
oriundos dos ajustes no setor imobiliário do país; e reflexos dos
episódios recentes envolvendo bancos no exterior, apesar do contágio
limitado sobre as condições financeiras até o momento.

Inflação

Segundo o BC, as projeções de inflação
caíram para todo o horizonte considerado. A inflação, calculada pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve encerrar este
ano em 5%, no cenário com taxa básica de juros em 12,25% ao ano e
câmbio em R$ 4,85. No relatório de março a projeção era 5,8%.

O BC também projeta que a inflação deve ser
de 3,4% em 2024 e de 3,1% em 2025. Nessa trajetória, a taxa Selic chega
ao final de 2024 e 2025 em 9,5% e 9% ao ano, respectivamente.

O relatório destaca que a chance de a
inflação oficial superar o teto da meta este ano caiu de 83% no
relatório de março para 61% agora em junho.

A meta para este ano, definida pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN), é de 3,25% de inflação, com intervalo de
tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o
limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%. Para 2024 e 2025, o CMN
estabeleceu meta de 3% para o IPCA, nos dois anos, também com 1,5 ponto
percentual de tolerância.

 

Ag Brasil

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