sexta-feira, junho 21

A maior vitória em quase 6 meses de governo Lula é o equilíbrio entre os 3 poderes e a sociedade podendo criticar e elogiar livremente. O Brasil voltou.

Foto: CARL DE SOUZA / AFP
Caminhando para o sexto mês assistimos o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva se desenvolvendo, como todo governo o do petista erra, acerta, avança, recua, negocia e enfrenta oposição, críticas e elogios. Como todo governo? Não, não dá para esquecer o que representaram os 4 anos do governo anterior, presidido por Jair Bolsonaro.
Assistimos um país que enfrentou uma pandemia, escalonou mais de 700 mil mortos, e resistiu num ambiente de ameaça constante ao equilíbrio entre os poderes e a democracia em si. O medo imperou, a sensação de insegurança, materializada numa sucessão de bravatas e violências vocalizadas pelo então presidente, que motivaram seus seguidores a irem para as ruas e atacarem a ordem estabelecida marcaram cada dia. Ataques a imprensa, ambientalistas, índios, gays, lésbicas, negros, mulheres, comunistas, esquerda, oposição, católicos e afins estiveram na ordem do dia.
Para Bolsonaro pouco importava a regra do jogo, ele tentou fazer as suas, lutou arduamente para estabelecer uma semi-ditadura, chegou ao limite de trincar a democracia brasileira, em particular no processo eleitoral e no dia da eleição em si.
Então, quando passamos quase 180 dias sem um desrespeito aos 3 poderes constituídos de uma democracia, quando assistimos todo o processo de defesa e ataque normal a um governo numa república de tipo constitucional, respeitando as regras escritas pelos representantes do povo em sua carta magna, não há como não louvar a volta do Brasil aos marcos estabelecidos.
É claro que tem gente que não entendeu. Não perceberam alguns até agora que a esquerda nucleou uma frente amplíssima que ganhou a eleição, a duras penas, mas não construiu a maioria que precisava para governar e desfazer o conjunto de barbaridades perpetradas pelo bolsonarismo, tanto politicamente como socialmente.
Deputados, senadores e governadores ainda representam resquícios de um governo que acabou, cabendo ao novo governo dirigir o país nessa correlação de forças adversa, na busca da construção de uma maioria parlamentar que precisa urgentemente se converter numa maioria social e eleitoral em 2024 e 2026.
Mas não podemos criticar o novo governo? Ele não erra? Claro que podemos criticar e é óbvio que o governo erra, mas um pouco de Lênin e dos seus estudos sobre a real correlação de forças não faz mal a ninguém. O conjunto de ações políticas e sociais que o governo Lula vem desenvolvendo busca retomar o desenvolvimento econômico do Brasil, criar empregos e devolver a dignidade de nosso povo que sofreu tudo que não merecia nos 4 anos de Bolsonaro. O presidente o faz tentando por onde passa envolver forças políticas locais, desarmar palanques e agregar setores produtivos que se iludiram com a pauta ultraconservadora.
Até agora há muito o que comemorar, mas pode ter mais, principalmente se entendermos que o conceito de “frente ampla” não era só para ganhar a eleição, mas sim para governar o país, esse Brasil plural, diverso e belo, que teve a necessidade imperiosa de edificar uma ampla frente eleitoral e social para derrotar a ascensão do fascismo no poder central da nação. O que fizemos não foi qualquer coisa, a vitória que tivemos não foi só eleitoral, foi histórica, impedimos o desmonte da maior democracia da América Latina, a derrota da frente ampla traria consequências para todo o planeta.
É sempre importante lembrar que o todo importa muito mais do que as partes, embora seja formado por elas e estas tenham sim sua relevância relativa, as pautas especificas e localizadas compõe a colcha de retratos que somos. Mas a pauta central, o Brasil, a democracia, a luta por um país justo e soberano contempla todas as pautas especificas e as articula, isso é o que devemos perseguir: o claro entendimento do tamanho da nossa vitória, e a correlação de forças adversa em que ela se deu. Esse é o mundo real, e todo dia precisamos enfrentá-lo em busca de uma nova correlação de forças que leve o Brasil a novos dias de democracia ampla e de felicidade para o nosso povo.

Thiago Modenesi
É professor Universitário, Historiador,
Pedagogo e editor na Editora Quadriculando.

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