segunda-feira, junho 17

Mãe e filha são acusadas de roubo após consulta na UPA de Ipojuca

Médico revista bolsas em busca de celular perdido, e incidente gera indignação.

UPA Ipojuca
Foto:  Leonardo Pacheco/WhatsApp
A pescadora, Sandra Franco, de 42 anos, e sua filha, uma adolescente de 17 anos, passaram por um constrangedor incidente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ipojuca, localizada no Litoral Sul de Pernambuco. Após uma consulta médica, as duas foram acusadas de roubo por um médico, que as revistou em busca de um celular supostamente perdido por ele.
Sandra Franco, que é pescadora artesanal há mais de três décadas, procurou a UPA na sexta-feira (29) devido a problemas de saúde de sua filha. A jovem, sofrendo de alergias e problemas respiratórios por mais de quatro dias, foi atendida pelo médico Matheus Nickel Saúde.
O incidente ocorreu quando mãe e filha estavam na sala de medicação após a consulta. O médico entrou apressado e alegou ter perdido seu celular, questionando se elas haviam sentido um celular vibrando. Sandra indagou se estavam sendo acusadas de roubo, ao que o médico exigiu que abrissem suas bolsas para revistá-las.
“Ele disse ‘vocês foram as últimas pessoas a saírem do meu consultório. Abram a bolsa'”, relatou Sandra. Após a revista, o médico deixou o local, retornando minutos depois para pedir desculpas, informando que havia encontrado o celular. A humilhação deixou a pescadora emocionalmente abalada.
Sandra Franco acredita que o incidente possa estar relacionado ao preconceito racial, afirmando: “Nunca passei por algo assim, e acho que o fato de sermos negras tem a ver com esse julgamento dele.”
Posteriormente, mãe e filha foram chamadas à direção da UPA, onde uma enfermeira pediu desculpas em nome do hospital e do médico. No dia seguinte, as duas registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Porto de Galinhas, também em Ipojuca, e o caso foi categorizado como “outras ocorrências ilícitas penais” pela Polícia Civil.
A Secretaria de Saúde do município emitiu uma nota lamentando o “mal-entendido” e explicando que o médico apenas perguntou a alguns pacientes se tinham visto o celular, sem fazer acusações. A Ouvidoria da Saúde está aberta para receber as alegações da pescadora e sua filha enquanto as investigações continuam em busca de esclarecimento do caso.

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