sexta-feira, fevereiro 23

Balança comercial brasileira registra superávit recorde em Setembro

Exportações impulsionadas pela safra de grãos e queda nas importações de combustíveis contribuem para resultado histórico.

Cédulas de real
Foto: Marcelo Casal Jr.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou hoje que a balança comercial brasileira fechou o mês de setembro com um superávit de US$ 8,904 bilhões, consolidando um resultado histórico. Beneficiada pela diminuição das importações de combustíveis e pela safra recorde de grãos, a balança comercial atingiu um patamar inédito para meses de setembro, registrando um aumento de 51,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando a média diária.
Com esses números, os nove primeiros meses do ano também entraram para a história, acumulando um superávit de US$ 71,309 bilhões. Esse é o maior resultado para esse período desde o início da série histórica em 1989, superando o superávit recorde de US$ 61,525 bilhões registrado durante todo o ano passado.
O destaque desse desempenho está na dinâmica entre as exportações e importações. Enquanto as exportações cresceram em setembro, as importações tiveram uma queda significativa. O Brasil exportou US$ 28,431 bilhões no mês passado, representando um aumento de 4,4% em relação a setembro de 2022, com base na média diária. Por outro lado, as importações totalizaram US$ 19,527 bilhões, uma redução de 17,6% na mesma base de comparação.
No âmbito das exportações, o recorde na safra de grãos e o aumento da produção de petróleo compensaram a queda nos preços de algumas commodities no mercado internacional. Já nas importações, a diminuição dos preços do petróleo e seus derivados foi o principal fator responsável pela retração.
Embora as commodities tenham alcançado recordes no primeiro semestre do ano passado, devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, observou-se uma queda nos últimos meses. Apesar do aumento nos preços do petróleo e outros produtos em setembro, os valores continuam inferiores aos do mesmo período do ano anterior.
Em setembro, o volume de mercadorias exportadas cresceu 7,2%, enquanto os preços médios caíram 7,4% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Nas importações, a quantidade adquirida diminuiu 8,7%, e os preços médios recuaram 14,5%.

Setores-Chave:

Agricultura e Pecuária: A safra recorde de grãos teve um impacto positivo nas exportações, com um aumento de 41,7% no volume de mercadorias exportadas em setembro em comparação com o mesmo mês de 2022, apesar da queda de 17,2% no preço médio.
Indústria de Transformação: A quantidade de mercadorias exportadas nesse setor caiu 8,5%, com uma redução de 2,6% no preço médio.
Indústria Extrativa: Esse setor, que engloba minérios e petróleo, registrou um aumento de 20,6% nas exportações em termos de volume, enquanto os preços médios caíram 9,6%.

Produtos de Destaque:

Agricultura e Pecuária: As exportações de animais vivos (exceto pescados ou crustáceos) tiveram um aumento significativo de 560,4%, enquanto as exportações de soja cresceram 38,4%. Mesmo com a queda de 17,6% no preço médio, a safra recorde impulsionou o aumento de 67,8% no volume de embarques de soja.
Indústria Extrativa: Minérios de cobre e concentrados tiveram um aumento de 58,5% nas exportações, e o petróleo bruto registrou uma elevação de 18,7%. No caso do ferro, houve um aumento de 3,6% no valor exportado.
Indústria de Transformação: As principais quedas ocorreram nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (-23,7%), celulose (-20,4%), e gorduras e óleos vegetais (-50,4%), influenciadas, em parte, pela crise econômica na Argentina, um importante destino das manufaturas brasileiras.

Principais Recuos nas Importações:

Agricultura e Pecuária: Notaram-se significativas reduções nas importações de milho não moído (-50%), látex e borracha natural (-48,4%), e trigo e centeio (-26,3%).
Indústria Extrativa: Destacam-se os recuos nas importações de gás natural (-68,1%), carvão não aglomerado (-38,2%), e óleos brutos de petróleo (-31,5%).
Indústria de Transformação: Houve quedas notáveis nas importações de compostos organo-inorgânicos (-48,5%) e adubos ou fertilizantes químicos (-36,3%).
Apesar da desvalorização das commodities, o governo revisou levemente para cima a projeção de superávit comercial para 2023, prevendo um saldo positivo de US$ 93 bilhões, em comparação com a projeção anterior de US$ 84,7 bilhões feita em julho. O MDIC estima que as exportações permanecerão estáveis em 2023, subindo apenas 0,02%, encerrando o ano em US$ 334,2 bilhões, enquanto as importações deverão recuar 11,5%, totalizando US$ 241,1 bilhões.
Essas previsões se mostram mais otimistas do que as projeções do mercado financeiro, que, de acordo com o boletim Focus do Banco Central, apontam um superávit de US$ 72,1 bilhões para este ano. A balança comercial brasileira continua a ser uma peça fundamental no cenário econômico nacional, contribuindo significativamente para a estabilidade e crescimento do país.

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